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[CRÍTICA] Doutor Sono | A busca pelos Iluminados

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Na infância, Danny Torrance conseguiu sobreviver a uma tentativa de homicídio por parte do pai, um escritor perturbado por espíritos malignos do Hotel Overlook. Danny cresceu e agora é um adulto traumatizado e alcoólatra. Sem residência fixa, ele se estabelece em uma pequena cidade, onde consegue um emprego no hospital local. Mas a paz de Danny está com os dias contados a partir de quando cria um vínculo telepático com Abra, uma menina com poderes…

Quem é fã do mestre do terror Stephen King não irá se manter longe dos cinemas esse mês. Isso porque Doutor Sono chega às telonas trazendo nostalgia aos fãs do clássico “The shining”, que ficou conhecido no Brasil com o nome de O Iluminado.

A sequência traz Ewan McGregor no papel de Danny Torrance, o famoso personagem do primeiro filme que sobrevive aos terrores sofridos no Hotel Overlook. Danny segue os passos do pai, se tornando um alcoólatra e possuindo uma vida desregrada. Evitando utilizar seus “poderes” de iluminado, ele passa uma vida nas sombras, contando com um auxilio espiritual de Dick Hallorann (Carl Lumbly) , o cozinheiro do primeiro filme.

O filme gira em torno de um culto chamado “O Verdadeiro Nó”, que persegue os Iluminados, algumas vezes se alimentando deles e outras vezes adicionando-os a seus membros. A personagem com maior destaque do culto é chamada de “Rose, the hat” (ou Rose, da Cartola), interpretada por Rebecca Ferguson, que lidera o grupo.

Paralelamente aos eventos causados pelo grupo, Danny se muda para outra cidade, onde entra para o um grupo de Alcoólicos Anônimos e se mantém sóbrio por oito anos. Logo ele consegue um trabalho em um asilo, onde, utilizando seus poderes, trabalha para dar conforto aos pacientes terminais do local.

Em uma das caçadas, o Verdadeiro Nó é espionado por uma Iluminada extremamente poderosa que logo chama a atenção do grupo. A jovem garota se chama Abra Stone (Kyliegh Curran) e, aparentemente, é o personagem mais forte já visto na sequência e em O Iluminado.

Danny inicia uma comunicação com Abra através de seus poderes, trocando mensagens através da parede de um quarto que aluga. Logo, a garota o procura pessoalmente pedindo ajuda para lidar com o Verdadeiro Nó.

Com cenas bem construídas, conseguimos nos apegar a diversos personagens e entender de forma mais completa sobre o “the shining”, o dom dos personagens. É explicado no filme que cada um tem um nível, deixando claro que a maioria dos Iluminados nem sequer sabe do poder que tem.

John Coffey, personagem de A Espera de Um Milagre, que o diga. Ei, mas pera aí! De qual filme estamos falando mesmo? Senta que lá vem teoria.

Já é sabido que alguns filmes do mestre Stephen King possuem ligações que nem sempre ficam claras para todos. Quem assistiu A Espera de Um Milagre (que também é obra de Stephen King) viu um homem com poderes especiais que conseguia “sugar” doenças e descarta-las no ar ou em outras pessoas. Eis que no livro Doutor Sono é explicado um tipo de “the shining” assim. No filme, é possível ver o culto do Verdadeiro Nó sugando (literalmente) o poder de alguns Iluminados, relembrando a cena em que John Coffey (“como café, mas se escreve diferente”) suga a doença no cérebro de Melinda, interpretado por Patricia Clarkson. Mas voltemos ao Doutor Sono.

O filme possui um fundo musical tenso, apresentando batidas que lembram um coração em cenas que tiram o fôlego.  O jogo de câmeras dirigido por Mike Flanagan torna tudo mais envolvente, criando um tipo de terror que não aposta tanto em jumpscares como vemos na maioria. O tipo de filmagem muda nas cenas que recriam O Iluminado, tentando nos trazer de volta não só os personagens, mas também a direção do primeiro filme nas cenas. Além de tudo isso, as inúmeras menções e referências nos dão uma tensão extra, pois deixa os telespectadores mais ligados de algum perigo está por vir (não entra no quarto 237, Danny, pelo amor de Deus).

Como já é notado, Dr. Sono não é um filme recomendado a quem não viu O Iluminado, uma vez que se torna uma sequência direta, apesar dos anos que separam um lançamento do outro. Algumas cenas de O Iluminado são refeitas com novos atores no papel dos antigos personagens. A impecável percepção dos detalhes recriados quase nos faz acreditar que estamos vendo cenas do primeiro filme, até vermos os personagens. Mesmo assim, os atores escolhidos para os papeis que eram de Jack Nicholson, Shelley Duvall e Danny Lloyd são impecáveis, sendo possível notar a perfeição com que eles tentam recriar cada um dos personagens. Alexandra Essoe, que interpreta Wendy Torrance na nova sequência, é a que ganha mais destaque, com expressões, voz e manias inegavelmente idênticas a personagem de Shelley Duvall.

Mesmo que o primeiro filme, O Iluminado, não consiga trazer um tipo de suspense que agrade a todos, Doutor Sono consegue lidar com isso muito bem. Apesar de alguns personagens não terem sido tão bem explorados como deviam, o filme consegue envolver quem assiste na história, fazendo-nos vibrar com cenas triunfantes e causar angústia em cenas mais pesadas. Mesmo com 2 horas e 31 minutos, o filme não é cansativo, valendo a pena cada minuto.