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[CRÍTICA] Coringa | A verdadeira piada mortal

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Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) trabalha como palhaço para uma agência de talentos e, toda semana, precisa comparecer a uma agente social, devido aos seus conhecidos problemas mentais. Após ser demitido, Fleck reage mal à gozação de três homens em pleno metrô e os mata. Os assassinatos iniciam um movimento popular contra a elite de Gotham City, da qual Thomas Wayne (Brett Cullen) é seu maior representante.

O filme abre com uma cena já para te situar dos reais problemas de Gotham. Gotham é uma cidade mal administrada com vários tipos de problemas, como saúde, saneamento básico, mas em nenhum momento o filme mostra que segurança é um real problema na cidade. Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) trabalha como palhaço para uma agência, onde seus serviços vão desde animar um hospital de crianças doentes até segurar cartazes em frente de loja. Para Arthur, tudo que está ruim pode piorar ainda mais, pois mesmo com todos os problemas que ele enfrenta, ele é demitido, e após isso acontecer ele toma certas atitudes que até mesmo pra Gotham, até aquele momento, parecia ser novidade. Agora violência e movimentos populares contra a elite de Gotham começam a fazer parte da cidade também.

Todd Phillips traz um filme original, totalmente diferente de qualquer coisa que você já viu sobre filmes de heróis. Tudo que vamos vendo no decorrer da história é incrível, referências aos filmes "Taxi Driver" e "O Rei da Comédia" são notáveis, mas não que seja forçado e sim de forma que deixa o filme cada vez melhor. Phillips sabe claramente que tem um filme denso e difícil em suas mãos, então no decorrer de toda a construção do Coringa ele vai mostrando que o personagem é sim doente e mal. Com certeza um dos pontos mais altos do trabalho do diretor neste filme é a construção de dois personagem, Coringa e Gotham, onde a cidade é claramente um personagem em desenvolvimento e Phillips desenvolve-a de forma maestral.

Precisamos falar sobre Joaquin Phoenix, o ator merece no minimo uma indicação ao Oscar, se ele não acabar é levando a estatueta pra casa. Phoenix entrega o seu maior trabalho até hoje feito, o ator está tão bem no personagem que o filme mesmo com todo o seu começo arrastado, ele te leva para dentro da historia e te faz querer saber cada vez mais sobre a transição de Arthur para Coringa. O filme é feito com muitas viradas, e uma delas você com certeza vai te fazer pular da cadeira. Phoenix entrega todos esses momentos forma de sutil e violenta quando precisa ser. Certos trejeitos que Phoenix cria para Arthur no decorrer do filme parecem meio estranhos, mas quando passamos a ver o Coringa em tela tudo passa a fazer sentido. Joaquin Phoenix entrega um dos personagens mais bem construído e desenvolvido do cinema nessa atualidade.

O filme é feito em volta de muitas reviravoltas, e Robert De Niro faz parte de alguns desses momento. O personagem de De Niro (Murray Franklin) é de estrema importância para a construção do Coringa, assim como Thomas Wayne (Brett Cullen), que no filme tem uma certa importância para a vida de Arthur.

Coringa é um filme difícil, violento não só de violência física, mas também psicológica. O filme devia abrir com uma mensagem falando sobre o assunto abordado no filme, pois é algo muito delicado de se tratar ainda mais na atual situação que o mundo passa. Mas como eu disse anteriormente, Phillips sempre está mostrando a real situação do personagem principal da história. Entendemos então que Coringa é sim um "coringa", muitas vezes o telespectador sem saber qual o rumo o filme irá tomar. Temos um Arthur sem exito ao tentar entregar suas piadas ao público, então ele entende que como coringa a sua principal piada é a piada mortal.