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[ARTIGO] Midsommar é terror?

O texto abaixo contem Spoilers do filme.

Quando eu me propus a escrever sobre o filme, me dei a liberdade de não aprofundar em questões técnicas, cinematograficamente falando. Então eu aviso logo, aqui vai ser uma perspectiva muito pessoal, com um olhar de estudante de psicologia e saúde mental. Pois o filme, ao meu ver, foi muito isso.

Midsommar retrata o luto de Dani, personagem principal, que acaba de perder sua família e entra em um processo de luto. E como muitos, ela não tem um acompanhamento ideal e um tipo de manejo especializado com profissionais de saúde mental, mas que acaba encontrando sua forma de lidar com as dores internas através dessa vila sueca, isolada do mundo. Então como eu, estudante de psicologia, consegui enxergar isso? Na hora constatei que o filme poderia ser exatamente um retrato da nossa realidade adoecida. É fato constatado que as pessoas recorrem, muitas vezes, à comunidades terapêuticas de cunho religioso para uma busca imediata de uma suposta cura. Que vai cuidar explicitamente da área espiritual, através de superstições, rituais e etc. Eu não pude deixar de relacionar essa vila sueca com os programas de tv que deixam explícitos cenas de histeria coletiva em momento de possessões, ou que ali está claro o efeito de manada aonde o grito histérico coletivo pode ser a solução ideal para que essa manifestação de dor vaze de dentro de nós, como um vômito. Dani, ao invés de procurar uma psicoterapia, acabou transferindo essa necessidade do cuidado nessa comunidade que lhe acolheu por identificação. Minha função não é criticar desenfreadamente a religião alheia, mas alertar que apesar desse vínculo, o principal método de tratamento para o adoecimento mental não é o espiritual, não é o religioso. Somos seres de psiqués, não só espirituais. E quando nos sujeitamos a escolhas tão cegas como essa, nos tomamos manadas pela pressão desse grupo. E o fim prova exatamente isso, quando Dani finalmente se torna um deles.